O atual Secretario de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) em Piracicaba, não é exatamente conhecido pela sua atuação frente à questão ambiental. Ex-presidente do INCRA no governo FHC, Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo no governo Mario Covas - Alckmin e integrante da bancada ruralista como Deputado Federal pelo PSDB de São Paulo, o secretario não nega que sua especialidade é agricultura. No entanto, recentemente, incorporou “ecologia” ao slogan de seu site.
http://www.xicograziano.com.br/
Em extenso artigo no Jornal Estado de S. Paulo, Graziano explica as origens do melhoramento genético, passando pelo conceito de hereditariedade de Mendel até a utilização de melhoramentos genéticos na agricultura. O secretário chega dizer que melhoramentos genéticos (que são cruzamento por “reprodução sexuada” de indivíduos selecionados), foram os responsáveis pela “revolução verde” que salva a humanidade da fome contrariando os desígnios “malthusianos”. No entanto, omite que tal revolução é calcada na utilização de fertilizantes e agrotóxicos para ganho de produtividade, e não no melhoramento genético.
Mas o Graziano vai além, confundindo melhoramento genético com engenharia genética, que para ele é “a nova tecnologia que permite os cientistas transferirem características genéticas sem mais necessitar do cruzamento sexuado. Misturam-se genes interessantes de uma bactéria, por exemplo, no genoma de uma planta superior. Algo impensável no melhoramento genético clássico se permite na revolução genômica, abrindo fronteiras do futuro no campo.”
Mas o melhoramento genético segue existindo como tecnologia agrícola independentemente da transgenia citada, e tal transgenia, não é evolução natural das técnicas de melhoramento genético como faz supor o secretário. Para defender sua tese de que “a revolução genômica, (está) abrindo (as) fronteiras do futuro no campo,” o secretário (de Meio Ambiente) usa-se de artifícios escusos, contando, ora parte da história, ora fazendo induções lógicas falsas.
O assunto “transgênicos” deve ser tratado no prisma ambiental pelo menos com cautela, jamais como abertura das fronteiras do futuro no campo.
E não é só a “ciência” dos transgênicos ou seus prováveis problemas ambientais e a saúde que estão em pauta, mas a amplitude dos mercados que aceitarão esses produtos, que empresas detêm essa tecnologia e para que tipo de melhoramento.
A Monsanto produz 90% dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) do mundo. Seu produto mais utilizado no Brasil é a soja Roundup Ready, que é resistente ao herbicida Roundup (foto). Esse é o “futuro do campo”? Vamos ao debate ...
Sugestão ORION
- Livro: “O Mundo Segundo a Monsanto”
- Documentário “O Mundo Segundo a Monsanto” Assista no You Tube
- Leia o artigo de Graziano "O Mestre da Genética"
Por ORION Ambiental
30/06/2009
Secretario de Meio Ambiente do Estado de São Paulo defende transgênicos
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